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sábado, 19 de janeiro de 2013

Pietro



Eu já fui um filho do complexo. Metaforicamente, ele me gerou durante anos, através da vida difícil que levei.

Entrando já na adolescência, no auge do Ensino Fundamental, eu vi que eu havia me tornado um garoto muito mais magro, com os dentes tortos, com o cabelo crespo, absurdamente baixo e negro. Não, nunca fui racista, mas sim, já tive ódio de mim por sofrer um certo racismo.

Via que nenhuma menina queria ficar comigo, até riam e debochavam, e reparava também que elas ficavam com aqueles garotos mais fortes, mais populares, de olhos claros e essas coisas. Não sei por que comecei a criar na minha cabeça o homem que eu queria ser. Um garoto alto, forte, com os cabelos lisos e pretos, pele claro e bonito, obviamente. O batizei de Pietro.

No início eu sempre chorava quando imaginava um garoto assim, ou quando via um desse estilo na televisão ou filme. Ficava muito triste no colégio, porque ninguém me queria, mas queria os “Pietros” que haviam lá. Essa foi a causa principal para o meu complexo.

Depois de alguns anos, já tendo conhecido a Deus, estado dentro de uma igreja, eu continuei com isso sem perceber. Agora isso já se manifestava de outra forma, não ligava mais para ficar com as meninas e sair com todas, mas o complexo se tornou muito mais interno do que externo.

Me achava incapaz de fazer qualquer coisa, me achava ridículo quando acertava e me sentia melhor quando errava. Eu tinha medo de acertar, porque pensava que não era merecedor de acertos, mas sim de erros.

Agora o Pietro era aquele rapaz prestativo, que todos elogiam e apreciam, que sempre acerta e só há bons comentários à respeito, e eu era aquele jovem pacato sem nenhum dote, que não sabia fazer nada direito, que nunca acertava e merecia o castigo de ser sozinho.

Foi muito complicado vencer esse vilão, porque foi preciso primeiro acabar com os complexos e deixar aparecer um Natan seguro de si. Eu só deixei o Pietro de lado quando deixei de olhar para minha condição, que realmente não existe, e passei a pedir a ajuda de Deus, que me mostrou que eu posso tudo, sendo exatamente do jeito que sou.


     “e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para envergonhar as que são;” I Coríntios 1:28

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